Confia em mim: sou um algoritmo

Uma das sessões que mais me inquietou no SxSW falava sobre confiança. Na verdade, falava sobre algoritmos. Mas eu saí dela achando que as duas coisas são quase a mesma hoje em dia.

Explico.

O Google diz que uma pessoa toma, em média, 35.000 decisões em um dia normal. Isso é: a gente toma uma decisão a cada 2,5 segundos. Sim, algo em torno de 24 decisões por minuto (um pouco mais até). O ponto é que nem todas as nossas decisões são conscientes. “A maioria das decisões são tomadas pelo nosso cérebro sem que a gente saiba. Depois a nossa consciência justifica essas decisões”, explicou Martin Harrison, da agência Huge, na primeira palestra do dia para mim.

Então será que na hora de votar para presidente, por exemplo, também somos decisores inconscientes? Em outra palestra, Michael Kinstilinger, do grupo Havas, mostrou que dos últimos 12 presidentes americanos, desde 1968, 10 foram eleitos gastando mais dinheiro em campanha. Entendendo, então, que confiança é um ponto fundamental em uma disputa eleitoral, teria sido a confiança dos americanos comprada de uma certa forma?

O que está na minha cabeça é: você confia em quem está falando, ou confia mais em quem fala mais? Nosso cérebro entende que se o padrão se repete mais vezes, este é um padrão confiável e portanto auxilia na decisão. Isso seriam os algoritimos provando o que os marqueteiros já sabem a muito tempo.

O ponto é que o cérebro aprende com o nosso comportamento e toma decisões por nós que tendem a nos ajudar no meio de tantas escolhas que precisamos fazer. Por quê? Porque a gente acredita que uma coisa que aconteceu no passado vai acontecer no futuro. Quando a gente vê uma coisa acontecer sempre, aprendemos a confiar naquilo. E a confiança é um facilitador de decisões na vida e, claro, no marketing.

Só que no marketing, essa observação, aprendizado e aplicação que nosso cérebro desempenha resume-se, de maneira simplista, aos algoritmos. O Spotify Discover Weekly talvez seja um bom exemplo. Algoritmos como esses, que identificam seu comportamento e tomam decisões por você são ótimos para marcas se aproximarem do consumidor oferecendo uma facilidade ou uma experiência nova. Mas não são humanos e, quanto mais dados coletarem, mais longe estarão de ser.

Por isso, no fim do dia, a pergunta que eu ainda não consigo responder é: na hora de escolhermos uma marca, a gente realmente confia nela ou, na verdade, os algoritmos decidem por nós?